03/03/2025
Madrigal que se faz para o silêncio, cujas quadras são sombras de folhas de canteiro que se movem leves ao vento. Toda ternura do mundo, toda por ser a única.
É preciso fechar a rua, adorná-la, pendurar fio de luzes em meio ao cair da noite. A ponte se ergue do chão, prescinde de qualquer engenharia, as prendas da criatividade vêm da ausência de projeto.
Ponte avistada, pés sobre a lombada a alçar o corpo, bicicletas trocadas, curvas do asfalto como mero pretexto do movimento de regressar, jamais chegada ou partida, sons derrubados de uma não música, ritmos sem dança, quadrilhas sem pares. E o topo das árvores anciãs alonga a sombra no chão, estadia de um repouso que se abandona no tempo.
O desenho, traços e cores juntas, nada diz. No canto do quintal, as costas curvadas, os olhos rijos, as mãos a segurar o pó do chão, singela expressão, só assim, surge no espaço, da janela se move, criada para o mundo.