22/02/2025
Rastros de luz pousam sobre a fiação postada alta, se vê o comboio surgir no horizonte, lá se demorar, domesticado nos trilhos, até que chega, a maquinação se arma desajeitadamente, o aço é escama solta e alongada no ar, sua fronte, peso aniquilador.
Talvez fulgure alhures o fascínio dos astros, talvez o recorte daquele mesmo horizonte se descortine além, prodigiosamente, o peito cheio, os olhos a brilhar ante a beleza do esplendor da natureza.
Aqui, a luz de bronze pousa sobre os fios. O comboio que vem. O ruído seco, o regresso, as partidas, cortadas as palavras de despedida — repetição de adeus. E se exaure, estoure, martele o aço, estilhace e esmague o corpo.