10/02/2025
Penso na conquista do ser segundo Kierkegaard, na dificuldade extrema dessa decisão que nos migra o olhar e sentir para o sobre-humano, instante de visão translúcida pendido à eternidade. E nas odisseias do carma, nos moinhos do sofrimento, no ouro incerto e ignoto da abnegação. Na parolagem do amor enquanto único princípio possível.
De soslaio, sinto a conquista que se encerra na encenação prática, os jogos. Noto a apologia das viagens, dos momentos de delícias e pequenos prazeres. O direcionamento do que é funcional e bem desempenha. E mesmo o êxtase, o entusiasmo ante os pórticos da grande aventura.
O vestígio no chão que é matéria mas também reminiscência na alma, quando se conseguiu unir vida e mundo.
Se reconstrói a todo instante o tracejar de afirmações ou negações, já abençoadas, já petrificadas em maldição, já justificadas, o esvair da obra sonhada, margem que se esfumaça, espargir do que compôs mágoa insolúvel.