Estância

26/02/2026

Em meio ao estado de suspensão que tem se alongado há muito, indefinidamente a esperar, vivo à espreita. Diante de seja o que for o olhar pende para rotas ignoradas, distração tenaz de uma vigília entorpecida. 

Me inclino ao gesto de adeus, de partida que deflagra renúncia do que nunca se teve e do que perdido embora compõe a angústia perdurante. 

A rigor nada sei dizer a respeito do que se constitui este pulsar malsão da incompletude. Afeito ao sentimento de fuga, não pude me assentar no piso firme de um estar acabado. O termo seria transpor, o corpo leve, relevos, quando justapostos ar do peito e sopro do espaço, em perfeita harmonia de ponta a ponta, o que é imagem meramente intervalar do milagre do mundo redescoberto. Na placidez de sonho despertar largado e, por isso, absoluto. 

Em recortes da sonho acabo por ressonar ações nobres e sentimentais, campo aberto a diálogo franco ritmado caprichosamente. E fagulha por instantes a luz esquecida e móvel de bolhas, águas de poços e vincos, seu leito de corrente morna e esguia amortece o que, inicialmente, prorrompeu nervoso dos círculos da nostalgia.

Dentro deste estado suspenso, em curso o fermentar de sentimentos agridoces, assiste-se ao movimento prosaico e erradio do corpo, a distanciar-se anestesiado em sua superfície; as mãos empoeiradas, os itinerários repisados, a lotação, o despejo cinza do mau tempo, o tato das coisas que se enrijece, e o mote de todos os minutos é justamente aquele pulsar de angústia.